
Olá, eu sou a Amanda.
Sou mineira de Divinópolis e criadora da Kûara: arte e pesquisa em cerâmica. Tenho interesse pela cerâmica que incorpora e valoriza materiais e histórias locais, pela construção de fornos artesanais e pelas diferentes possibilidades de trabalhar com o fogo nas queimas.
Sou graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde também concluí mestrado e doutorado em Geografia. Minha trajetória nos estudos socioambientais atravessa meu fazer artístico e orienta uma pesquisa que se constrói no diálogo entre saberes ancestrais e manifestações contemporâneas.
Também sou membro e cofundadora do Coletivo Mulheres de Barro, formado por mulheres de Divinópolis que compartilham práticas, pesquisas e investigações no universo da cerâmica e das artes.
Acredito que é na partilha que o conhecimento se constrói e ganha potência transformadora. Por isso, dedico grande parte do meu trabalho a processos formativos por meio de oficinas presenciais, mentorias e cursos online, criando espaços para que outras pessoas possam aprender e pesquisar com a gente e, a partir disso, construir seus próprios caminhos na cerâmica, com autonomia.
Com esse trabalho, busco contribuir para uma cerâmica mais diversa e acessível e, principalmente, capaz de nos fazer sentir novamente o chão onde se pisa.
A Kûara
A Kûara nasce do desejo de retomar a cerâmica como uma arte popular, mais acessível e possível para a maioria de nós. Esse caminho tem se construído a várias mãos, no encontro entre arte, pesquisa e ensino, a partir de diferentes pessoas e lugares.
Temos três eixos de pesquisa que se articulam: barros locais, fornos e queimas artesanais. A partir deles, buscamos contribuir para uma cerâmica capaz de nos reconectar com nossos territórios, que valorize nosso chão, retome o fazer coletivo e seja capaz de contar, a partir de sua materialidade, sobre o lugar de onde vem e as mãos que a transformam.
Compartilhamos e construímos essa pesquisa por meio de mentorias online, cursos e oficinas presenciais, palestras e conteúdos.
Nossas formações são um convite para pesquisar, experimentar e criar com a gente.
A Kûara começou no quintal, a partir de perguntas e experimentações que foram ganhando outros lugares e outras mãos. Hoje, essas pesquisas circulam por diferentes territórios e se transformam no encontro com artistas, educadores, pesquisadores e comunidades.
Conheça nossas formaçõesPesquisa, ensino e território
Na Kûara, compartilhar processos, técnicas e conhecimentos é uma forma de ampliar a investigação e permitir que ela siga outros caminhos.
Investigamos os barros que encontramos nos territórios, construímos e experimentamos diferentes tipos de fornos e transformamos o fogo em nosso cocriador. Olhamos para aquilo que já existe, para aquilo que foi transmitido entre gerações, mas também para o que pode ser reinventado a partir das necessidades e das perguntas do nosso tempo.
Essa pesquisa também alimenta o que publicamos. Os textos da Kûara compartilham reflexões, processos e descobertas que surgem ao longo do caminho.
Leia os textos da Kûara
De onde vem a Kûara?
Em 2023, defendi meu doutorado em Geografia na UFMG com a tese O patrimônio na composição do mundo comum: outra topografia, novas paisagens. Naquele trabalho, eu investigava uma questão que continua me acompanhando: como diferentes formas de conhecimento, de existência e de relação com o território podem participar da construção do mundo que compartilhamos?
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Acesso e políticas sociais
Compromisso histórico e coletivo
A Kûara busca criar possibilidades para que a cerâmica chegue a mais pessoas, reconhecendo que o acesso a essa arte é atravessado por desigualdades.
Por isso, nossas formações sempre oferecem bolsas para grupos e pessoas em situação de vulnerabilidade social, além de agentes multiplicadores de conhecimento que trabalham com esses grupos.
A cerâmica que ensinamos só existe porque pessoas, em sua maioria mulheres historicamente invisibilizadas, sustentaram e transmitiram esses saberes por séculos. Diante disso, entendemos essas políticas como parte do nosso próprio ofício: uma forma de reconhecer as muitas mãos que mantiveram esse conhecimento vivo e contribuir para que ele continue circulando em espaços populares.
Os critérios e o calendário de cada processo são informados junto às respectivas turmas.